5 de setembro de 2017

Fascismo Italiano no Brasil?

No dias de hoje há um movimento político de direita que prega a escola sem partido, conservador e reacionário, objetiva limitar ou proibir a livre reflexão sobre história, filosofia, geografia e cultura em sala de aula. O problema seriam temas como a ditadura e o golpe militar de 1964, liberdade sexual, igualdade de gênero, cotas raciais, direitos humanos... essas "coisas". Infelizmente, já vimos isto antes.

Símbolo do Partito Nazionale Fascista (Fonte).
As salas de aula dos ítalos-brasileiros sempre foram um espaço de disputa ideológica, inclusive com apoio de potências estrangeiras. Principalmente no período das décadas de 1930 e 1940, quando houve ascensão de “...uma onda antidemocrática e pró-ditatorial de movimentos totalitários e semitotalitários [que] varreu a Europa” (Veja mais em Origens do totalitarismo (anti-semitismo, imperialismo e totalitarismo), de Hannah Arendt, São Paulo: Companhia das Letras, 1989), que disputaram a mente é o coração do imigrante e seus descendentes.

O fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler exerceram significativa influencia na vida sócio política brasileira e em especial em Santa Catarina. Pois além da criação de núcleos e partidos nazi-fascistas no Brasil e em Santa Catarina, influenciaram a criação da Ação Integralista Brasileira e na forma de direção da nação durante o período em que Getúlio Vargas esteve no poder (1930 – 1945) (veja mais no artigo: O Nazismo e o Integralismo em Santa Catarina, de João Henrique Zanelatto).

Durante o período fascista, quando houve um esforço consistente do governo italiano para colocar o Brasil na sua órbita de influência, a Itália não possuía recursos militares e econômicos suficientes para ações imperialistas tradicionais. Por isso buscou a mobilização e o controle das colônias de italianos espalhadas pelo mundo, na ligação de movimentos fascistas e governos estrangeiros pelo viés ideológico, a formatação de uma propaganda cultural marcada pelos pressupostos ideológicos e os esforços de subversão da ordem. A propaganda cultural e a mobilização dos imigrantes já ocorria antes do fascismo, e vários outros países também faziam isto para ampliar seu poder internacional naqueles anos e persistem até hoje (veja mais no artigo: A política cultural da Itália fascista noBrasil: O soft power de uma potência média em terras brasileiras (1922-1940), João Fábio Bertonha).


Livro de Clementina Bagagli, distribuído nas escolas em 1938 com abordagem de interesse do regime fascista.
Um dos elementos mais instigantes é como o fascismo foi introduzido em escolas brasileiras. Em 1934, as cidades gaúchas que tinham a organização de fasci all’estero eram sete: Uruguaiana, Pelotas, Rio Grande. Porto Alegre, Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias. Onde se pretendia “educar italiana e fascisticamente as crianças italianas nascidas no exterior”. Para tanto, em 1932 até os professores que atuavam no exterior foram obrigados a se filiarem ao Partido Nacional Fascista. (veja mais no artigo: Difundindo ideias fascistas através de manuais didáticos: Os 'Italianos no exterior' e suas escolas (1922-1938), de Terciane Ângela Luchese).

Como o Vale do Itajaí foi a principal região de estabelecimento de imigrantes da família Floriani, presume-se que e foram alvo destes movimentos políticos que atuavam no Vale e norte de Santa Catarina. Na década de 1920 o partido nazista realizava reuniões em Blumenau e seus partidários “constituíam um distinto grupo social urbano: mantinham ligações diretas com empresas e consulados alemães, dependendo deles para sua sustentação econômica dentro da colônia alemã” (veja mais no artigo: O Nazismo e o Integralismo em Santa Catarina, de João Henrique Zanelatto).

Isto persistiu até o governo brasileiro publicar os Decretos 7212, de 8 de abril e 7247, de 23 de abril de 1938, para tornar obrigatório o registro de todos os estabelecimentos particulares de ensino e a proibição de usarem mais de uma hora de atividade escolar no estudo e uso da língua estrangeira. que em 1938. Quando se inicia a Segunda Grande Guerra Mundial, o Brasil fica de fora do Eixo formado pela Itália e Alemanha, e se inicia uma nova fase de constrangimento da cultura alemã e italiana no Brasil.

Infelizmente, os ideais que levaram o mundo à guerra mais avassaladora que a humanidade já assistiu continuam vivos.

Como cita Arendt em seu prefácio: "Weder dem Vergangenen anheimfallen noch dem Zukünftigen. Es kommt darauf ein ganz gegenwàrtig zu sein" (Karl Jaspers).

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